Maria Fumaça foi retirada dos trilhos de Guararema. Afinal, quando irá voltar?

Locomotiva de 1927 foi levada para Cruzeiro, no Vale do Paraíba, para reparos, e até agora ainda não retornou para sua cidade, quase um ano depois da partida

Por: Darwin Valente –
O Diario de Mogi

Desde o começo do ano de 2020, uma pergunta vem sendo feita, com certa insistência, por moradores da cidade de Guararema.
Eles querem saber, afinal, que fim levou a velha locomotiva a vapor 353, tipo Pacific, fabricada em 1927, nos Estados Unidos, pela Baldwin Locomotive Works e que até o começo da atual década, serviu como atração especial para o transporte de passageiros entre as estações da cidade de Guararema e o distrito de Luiz Carlos, em feriados e finais de semana.
Apelidada de “Velha Senhora”, a antiga locomotiva a vapor tornou-se uma espécie de xodó da população de Guararema, que se orgulhava de apresentar a imponente máquina, ainda com força para puxar dois ou mais vagões de madeira, com pessoas da cidade ou turistas, que conseguiam voltar no tempo ao fazer a bucólica viagem atravessando trechos de campos e parte de serras, localizados em seu percurso.
As viagens do antigo trem foram resultado de um trabalho do deputado federal Márcio Alvino (PL), ex-prefeito de Guararema, que se uniu à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) para aquela conquista .

A antiga locomotiva que reviveu o romantismo da era das “marias fumaças”
A antiga locomotiva que reviveu o romantismo da era das “marias fumaças”
trem azul à diesel que a substituiu no trajeto entre o centro de Guararema e a vila de Luis Carlos, na divisa com Mogi das Cruzes (Divulgação - Joaquim Constantino - Gazeta de Guararema)
trem azul à diesel que a substituiu no trajeto entre o centro de Guararema e a vila de Luis Carlos, na divisa com Mogi das Cruzes (Divulgação – Joaquim Constantino – Gazeta de Guararema)

As viagens do antigo trem foram resultado de um trabalho do deputado federal Márcio Alvino (PL), ex-prefeito de Guararema, que se uniu à Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF) para aquela conquista.
Tudo parecia caminhar às mil maravilhas, com as viagens conquistando cada vez mais adeptos, que no final de 2021, a direção da ABPF decidiu enviar a locomotiva para a cidade de Cruzeiro, no Vale do Paraíba, onde a máquina deveria passar por alguns reparos, antes de retornar para Guararema.
No entanto, quando os moradores começaram a notar um certo atraso, bem acima da normalidade, veio a pandemia e, com ela, a desculpa de que estaria havendo dificuldades na obtenção das peças da locomotiva que necessitavam ser trocadas, por estarem desgastadas.
Certo ou não, o que se tem notícia é que até agora a locomotiva ainda não voltou, enquanto os moradores acreditam que dificilmente verão novamente a “Velha Senhora”, com seus 147.709 kg e com um esforço de tração para 12.900 kg. Indagado pelo jornalista Joaquim Constantino, do jornal Gazeta de Guararema, o funcionário da ABPF, de Cruzeiro, repetiu as mesmas informações iniciais, de que a locomotiva “foi retirada dos trilhos no mês de setembro de 2021 e levada para Cruzeiro para manutenção, ainda se encontra parada para fazer manutenção, e não tem previsão para retornar para Guararema, pois ela está com varias peças gastas, e algumas delas não se encontram para repor, tendo que passar por um projeto de engenharia”.
Procurado pela coluna, no início da tarde desta quinta (28), o deputado Márcio Alvino (PL) não havia respondido aos questionamentos da coluna, até o seu fechamento.
Enquanto a Maria Fumaça continua ausente, o trajeto vem sendo coberto com trens muito mais modernos, movidos a óleo diesel, que não têm o mesmo apelo sentimental da “Velha Senhora”, mas possuem capacidade para puxar um número maior de vagões, aumentando o número de passageiros transportados e, por tabela, o faturamento da ABPF.
O romantismo da antiga locomotiva, porém, continua distante, enquanto muita gente de Guararema insiste em saber quando -e se – ela realmente irá voltar. Muitos já dão a velha máquina como perdida, embora todos torçam demais pela sua volta, no menor espaço de tempo possível.